“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne.” (Jl 2.28a).
Espírito Santo — O Capacitador
O derramamento do Espírito Santo é uma promessa universal que capacita a
Igreja com poder para pregar o Evangelho.
Leitura Diária
Leitura Bíblica em Classe
Joel 2.28,29; Atos 2.1-4; 8.14-17; 1 Coríntios 12.4-7.
Joel 2
28 — E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.
29 — E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito.
Atos 2
1 — Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;
2 — e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.
3 — E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.
4 — E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
Atos 8
14 — Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João,
15 — os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo.
16 — (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.)
17 — Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
1 Coríntios 12
4 — Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
5 — E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
6 — E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
7 — Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.
Introdução
A promessa do derramamento do Espírito Santo cumpriu-se no Pentecostes e permanece válida para todos os que creem. A atuação do Espírito Santo vai além da obra de Regeneração. Ele também é o capacitador do crente para o serviço no Reino de Deus. Nesta lição, veremos que o Espírito distribui dons e conduz a Igreja com manifestações sobrenaturais, promovendo unidade, santidade e testemunho eficaz no mundo.
Tópicos da Lição
A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
Uma promessa de abrangência universal
Na Antiga Aliança, o Espírito atuava de modo pontual sobre pessoas específicas e para tarefas determinadas (1Sm 19.20; 2Cr 15.1; Ez 37.1). Porém, cerca de 800 anos antes de Cristo, Joel profetizou uma nova dispensação: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28a). Na Nova Aliança, essa promessa foi registrada em todos os Evangelhos (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.32,33). Na profecia, a expressão “sobre toda a carne” aponta para a abrangência universal do Espírito — não a todos de modo indiscriminado, mas a todos que invocam o nome do Senhor (Jl 2.32). Essa linguagem quebra paradigmas, e, assim a ação do Espírito ultrapassa fronteiras e alcança jovens e velhos, homens e mulheres, livres e servos (Jl 2.28,29).
Uma promessa com ação sobrenatural
O derramamento do Espírito vem acompanhado de manifestações visíveis e sobrenaturais: “vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Jl 2.28b). As profecias (1Co 14.3), sonhos (Mt 1.20) e visões (At 16.9) revelam a atuação do Deus vivo entre o seu povo. São experiências extraordinárias que servem de edificação espiritual (1Co 14.26). Elas indicam que a vida cheia do Espírito é ativa, dinâmica e sensível à voz de Deus (Rm 8.14). Onde o Espírito Santo é bem-vindo, o agir de Deus se manifesta com propósito e poder (2Co 3.17). Todo crente deve cultivar uma vida de comunhão e santidade, a fim de ser um canal sensível para as manifestações dos dons do Espírito (1Co 12.4-7).
Uma promessa para os últimos dias
A palavra profética aponta para um tempo específico: “naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Jl 2.29b). Na terminologia da Antiga Aliança, tais expressões referem-se à chegada do Messias e ao início dos eventos escatológicos (Is 2.2; Mq 4.1). Pedro identifica o Pentecostes como o cumprimento inicial desses “últimos dias” (At 2.17). Eles começaram com a vinda do Messias, que, juntamente com o Pai, enviou o Espírito Santo (Jo 15.26). A descida do Espírito inaugurou a Igreja e prossegue sua atuação contínua na vida do crente até o arrebatamento dos salvos (Ef 1.13). A profecia de Joel não se esgotou no Pentecostes, permanecendo vigente durante toda a dispensação da graça. A promessa é válida para todos os que crerem em todos os tempos (At 2.39).
O CUMPRIMENTO: PODER PARA TESTEMUNHAR
O Espírito Santo veio com o poder do Alto
O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, e seu derramamento no Pentecostes cumpre a promessa do Pai e a mediação do Filho. Antes de sua ascensão, Jesus assegurou aos discípulos que eles seriam revestidos de poder: “eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). Esse “revestimento” (gr. endýō) significa “vestir-se como uma armadura” e aponta para uma capacitação sobrenatural e indispensável para testemunhar de Cristo (At 1.8). Esse poder (gr. dýnamis) não é apenas força para resistir ao pecado (Rm 8.13), mas também ousadia para proclamar o Evangelho (At 4.31), autoridade para operar milagres (At 6.8) e sabedoria para edificar a Igreja (1Co 12.7).
Os sinais da descida do Espírito Santo
Atos registra dois sinais sobrenaturais que marcaram o advento do Espírito Santo: o “som, como de um vento veemente e impetuoso” (At 2.2) e as “línguas repartidas, como que de fogo” (At 2.3). O
“vento” e o “fogo” enfatizam a grandeza da ocasião e são sinais audíveis e visíveis da chegada do Espírito. O som, como de um vento, simboliza a presença criadora de Deus (Ez 37.9). As línguas, como que de fogo, são sinal de purificação e consagração (Êx 19.18; Mt 3.11). Esses sinais particulares não se repetiram posteriormente nos batismos no Espírito Santo subsequentes, pois se tratava de um evento solene e único. Ali, no Pentecostes, a Igreja, revelada como Corpo de Cristo (Ef 1.22,23; 3.2-5), foi inaugurada e marcada com esses sinais de forma visível e poderosa (At 2.1-4).
A evidência do revestimento de poder
O revestimento de poder veio com um sinal específico: “falar em outras línguas” (At 2.4). Em Atos, o falar em línguas está explícito em três registros (At 2.1-4; 10.46; 19.6) e implícito em outras duas ocasiões (At 8.14-17; 9.17,18). Dessa forma, biblicamente, o falar em outras línguas é sempre a evidência física inicial do batismo no Espírito Santo. Essa evidência difere do dom espiritual de “variedades de línguas”. Este último dom requer interpretação para a edificação da Igreja, porém, o “falar línguas” como batismo ou renovação não requer interpretação (1Co 14.27,28). Na experiência da salvação em Cristo, todo crente é “selado” com o Espírito (Ef 1.13,14); porém, no batismo no Espírito Santo, todo crente é “revestido” de poder (At 2.2-4).
A CONTINUIDADE DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
A extensão da promessa do Espírito
Pedro exorta seus ouvintes ao arrependimento, ao batismo nas águas e lhes assegura: “recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). Essa frase precisa ser entendida à luz do seu contexto. O “dom do Espírito” refere-se ao cumprimento da profecia de Joel e à promessa de Jesus a respeito do revestimento de poder (Jl 2.28; Lc 24.49). Esse dom não ficou restrito ao Pentecostes, mas é estendido aos crentes de todas as épocas: “a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe” (At 2.39). Na casa de Cornélio, a regeneração ocorreu pela fé em Cristo, e o batismo no Espírito Santo precedeu o batismo em águas (At 10.44-46). Em Samaria e Éfeso, foi derramado após a conversão (At 8.15,16; 19.2,6). Esse revestimento de poder é algo distinto do novo nascimento.
O Espírito opera com diversidade e unidade
Paulo ensina que “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Co 12.4). O termo “diversidade” (gr. diaíresis) aponta para a variedade de dons, operações e ministérios. A Trindade inteira participa: o Espírito distribui os dons (1Co 12.4), o Filho dirige os ministérios (1Co 12.5) e o Pai opera os resultados (1Co 12.6). Essa pluralidade indica a riqueza da Igreja. Os salvos recebem dons específicos visando à edificação dos crentes (Rm 12.4-18). De modo que o falar em línguas é a evidência inicial do batismo no Espírito, e o “fruto do Espírito” com “os dons espirituais” é sua evidência contínua (Gl 5.22; 1Co 12.8-10). Tudo resulta em uma igreja cheia de poder e unidade, ligada a Cristo, o cabeça da Igreja (Ef 1.22,23).
O Espírito distribui dons com propósito
Os dons (gr. charísmata) não são para ostentação pessoal, mas para o serviço do Reino (1Pe 4.10), edificação da Igreja (1Co 14.12) e glorificação de Cristo (1Co 12.3). O Espírito os distribui com propósito: “para o que for útil” (1Co 12.7); e os reparte soberanamente: “a cada um como quer” (1Co 12.11). Os dons são “graças espirituais” concedidas e controladas pelo Espírito (Rm 12.6-8). A finalidade específica dos dons nos protege de dois perigos espirituais: a soberba, que transforma o dom em motivo
de vanglória (Fp 2.3), e a negligência, que enterra o dom e impede seu uso (Mt 25.25). Portanto, cada crente é chamado a exercitar o dom que recebeu com humildade, e disponibilidade para servir com amor, zelo e temor ao Senhor (Rm 12.3; Cl 3.23,24).
Conclusão
O Espírito Santo é o capacitador divino prometido aos que creem. Ele atua em cada geração com poder, dons espirituais e direção. Desde o Pentecostes, sua presença é real e contínua. O crente pentecostal vive não apenas no Espírito, mas pelo Espírito, como testemunha viva do poder de Deus no mundo. Portanto, cada cristão regenerado é chamado a viver na plenitude do Espírito.
Revisando o Conteúdo
Significa que a promessa é para todos os que invocarem o nome do Senhor (Jl
2.28,32).
Para o tempo messiânico e escatológico, inaugurado no Pentecostes (At 2.17).
O vento simboliza a presença de Deus e o fogo aponta para purificação e
consagração (At 2.2,3).
Ao dom do Espírito Santo como revestimento de poder, cumprindo a promessa de
Joel (At 2.38).
Para evitar a soberba e a negligência, entendendo que os dons são para servir e
edificar (1Co 12.7; 1Pe 4.10).